sábado, 27 de julho de 2019

Reflexões do mofo

Fui o último a saber que ri dos que tentaram me ensinar
Neguei pão, água e empatia oferecendo o meu mais sagaz juízo
Consumei desejos e fugas, habitando corpos sem passado nem futuro
Dos seus donos, desejei posses
Quis muito mais do que meus braços poderiam agarrar
Fui inundado por fogo e fúria ao emergirem minhas fragilidades
Desisti diante dos primeiros reveses
Então, descubro-me humano, animal, possível...

domingo, 26 de novembro de 2017

Como tocar um aleijado

Sobre sua fisiologia, eles são dotados de 3 fibras: nervosas, musculares e paixão por seja lá o que valha
Lipídios, proteínas, açúcares e água fluem pelo seu corpo e se combinam ao sabor de sua homeostase, que sofre sobressaltos a cada paranóia que sussurre aos seus ouvidos
Nessa hora, uns suam, outros sentem aquele frio na espinha, e tem até quem hiperventile à beira de um infarto imaginário
Como animais que são, tiram seu sustento de sólidos e líquidos nascidos e criados nesta Terra
Quando estão cansados, bocejam, dormem, acordam, e repetem tudo, pelo menos uma vez ao dia
Passam pelas depressões, milagres econômicos, invernos e verões, e tem mil impressões sobre isso (muitas, com a profundidade de um caballito)
Na sua superfície, são cobertos de receptores sensitivos respondendo a toda sorte de gatilhos.
Ruffini, Vater-Paccini, Merkel, Meissner, Krause... Que tal?
Dizem que a gente se conecta ao trocar vulnerabilidades
Já que nesta vida não passamos ilesos, resta saber se você vai pecar por excesso ou omissão

terça-feira, 9 de junho de 2015

Status: esperando pelo the big one
Parece que o prato mais apreciado pela ansiedade é a calma
Ela se veste da melhor roupa porque sabe que a outra nunca tarda em sofrer de inanição
E nesse momento, como os felinos, ela ataca como brinca
Mata por necessidade e satisfação
O esconderijo me parece protocolar; parte desse losing game
Tanto que já cogito cartazes, cornetas e bumbos anunciando refeição barata, sem luta, sem apego

domingo, 30 de novembro de 2014

Desafio o tirano que tem a chave da casa das máquinas
A ser maior do que o meu ímpeto de me converter em força criativa
Convoco todas as legiões a brandir espadas pela causa primeira


Que arda em chamas o meu espírito desnudo!
Carbonize a podridão que mascara a simplicidade
Faça jorrar das pedras o rio que só responde a si
Entalha o mundo em respeito aos seus nervos


Há de se contemplar com olhos de menino o imponderável
Convidar para a dança a menina que costurou o seu vestido
Encher os pulmões como quem descobre que respira
Tatear a humanidade na eternidade de primeiras vezes

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A bifurcação do sim e do não

Aqueles verdes olhos cerrados despejavam verdades
imundas em bocas sensatas
Escarravam desejos em poças espasmódicas
Escorriam por ladeiras de endorfina, procurando a marca
que eterniza, na boca, o inevitável

É quando o ouvido escuta o corpo metabolizando
a dormência dos olhos em prol da pele, do gosto...
Daquele cheiro com data e hora!

Medimos em palmos nossa vontade refletida
Descobrimos o marco zero da união dos nossos corpos
...
Mas, por dedução!
Pois, redundamos no momento precendente à nossa
coragem
Num suspiro derradeiro, bradou: "Fracassei, ou fracassaram comigo?!"

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Âncora 01


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Licença para (eu) mudar

Tolo de quem não inventariar as suas funções
Terão seus feitos postos à prova e pilhadas suas riquezas
Usurparão o sorriso da boca
Convencerão seus filhos de sua indígna paternidade
Diluirão as juras em baldes de água fria
Anunciarão o equívoco
Culparão o frescor da juventude para negar a adversidade,
e chamar de bastarda a palavra

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Da luz ao longe descoberta

Costumava subir montanhas e olhar remoto
Nuvens multiformes em tons de cinza
Frestas tímidas eram molduras de sonhos

Procurava o brilho que cortasse a névoa
Luzia verde ao longe o seu destino
Quis saltar ao abismo e tatear o vento
Escorreu pela terra até a sua base

Correu com mãos, pés e asas
Sentiu sereno a sede e a água
Semeou regozijo nas pegadas
Deleitou-se na presença dela

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Balada do homem cordial

Estará sob minha vontade, a serviço dos meus abraços, regozijante
Sob pena de deitar nas sombras, coisa alguma se levantará
Se o fizer, será por baixeza estúpida e cristalina
Uma vez que nada é aleatoriamente meu, mas por graça e bondade

O que muda, senão pelo meu sorriso concessor?
Vinde a mim para ser nobre, se fazer grande
Brilhar como jamais o fez
Sentir a verdadeira força latente da plena experiência

Não nos desperdicemos mais
Bebamos das nossas presenças à embriaguez
Sejamos a cinética dos desejos
Alimente só, e somente só, os meus dedos