terça-feira, 15 de outubro de 2013

Âncora 01


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Licença para (eu) mudar

Tolo de quem não inventariar as suas funções
Terão seus feitos postos à prova e pilhadas suas riquezas
Usurparão o sorriso da boca
Convencerão seus filhos de sua indígna paternidade
Diluirão as juras em baldes de água fria
Anunciarão o equívoco
Culparão o frescor da juventude para negar a adversidade,
e chamar de bastarda a palavra

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Da luz ao longe descoberta

Costumava subir montanhas e olhar remoto
Nuvens multiformes em tons de cinza
Frestas tímidas eram molduras de sonhos

Procurava o brilho que cortasse a névoa
Luzia verde ao longe o seu destino
Quis saltar ao abismo e tatear o vento
Escorreu pela terra até a sua base

Correu com mãos, pés e asas
Sentiu sereno a sede e a água
Semeou regozijo nas pegadas
Deleitou-se na presença dela

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Balada do homem cordial

Estará sob minha vontade, a serviço dos meus abraços, regozijante
Sob pena de deitar nas sombras, coisa alguma se levantará
Se o fizer, será por baixeza estúpida e cristalina
Uma vez que nada é aleatoriamente meu, mas por graça e bondade

O que muda, senão pelo meu sorriso concessor?
Vinde a mim para ser nobre, se fazer grande
Brilhar como jamais o fez
Sentir a verdadeira força latente da plena experiência

Não nos desperdicemos mais
Bebamos das nossas presenças à embriaguez
Sejamos a cinética dos desejos
Alimente só, e somente só, os meus dedos

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

almocei e jantei hj sem achar q alguma coisa eh sem dor nessa vida

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Na comida, faltava o gosto da lâmina
Da taça de vinho, faltava o vidro
Faltava aquela lasca pontiaguda,
que se evita em dias de céu claro,
de qualquer coisa que atravessasse o olho

Faltava o gosto!
Faltava o gosto arrogante de quem transformou tudo,
absolutamente tudo, em experiência sensorial

O garfo só levou um punhado de comida
O copo só amparou a bebida espumada
A Lâmina só rasgou a carne do ruminante
Como de costume, ele preferiu a anestésica covardia

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sem lugar na net, sem lugar no mundo

Vivia em uma casa grande
Não tinha nem pra quem ligar
nem a quem curtir
Sujeitinho muito suspeito

domingo, 3 de abril de 2011

Tenho um amigo
...desses poetas
Dos que contam histórias de terras prometidas
Dos que nao perdem nenhuma presença significativa
Desses que retribuem um sorriso pro menino na rua
Conhecedor da medida de tudo quanto há de se ponderar

Amigo
...desses cineastas
Companheiro de limões e etílicos eslavos
Do ócio criativo no fim do expediente
Aquele que passamos a desprocurar no tédio
Alguém que ouve as trombetas da anunciação
antes que os céus se rasguem

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nos intervalos dos meus fracassos, colecionava horas
Segurava pela mão a minha inquieta companhia
Usava entoar mantras que evocassem meus vestígios
Fantasmas de fogo lambiam tais pertences
a tornar irreconhecíveis as formas derretidas
àquele que deliberadamente esculpiu seus heróis em cores de fumaça

Tive a petulância de clamar ao presente, pão e água
quando nem sequer me permiti ver com os ouvidos a correnteza nas pedras
Profetizei ao andarilho que se curioso fosse, acharia
Praticou o que mais sabia: se absteve de sua fisionomia cor de fundo

Encontrou a antítese das horas pingadas
lançando suas vértebras ao choque das ondas
Reservou o melhor lugar para se ser e estar
Assistiu a morte e pariu a vida, pelo menos uma vez

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre morrer e nascer e só assim viver

Ouso proclamar o seu nome entre as gentes
Derramar em frascos as verdades
Ressecadas em areia de cheiro e cor
A jamais remoer caducas circunstâncias
Natirmortas de razão altruísta

Que esfacele os meus farrapos, minha sede
Pois não há tempo que se esqueça de minar as forças
Tampouco, resista travestido de sorte zombeteira
Indo e vindo deixa sempre o gosto do nosso gosto
Quando se percebe que tudo apenas resta